Alvo de Trump, Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo

247 - A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela reacendeu o debate internacional sobre os interesses estratégicos que cercam o país sul-americano, especialmente no campo energético. Embora o governo norte-americano alegue o suposto combate ao chamado “narcoterrorismo” como justificativa para a ação, o peso das riquezas naturais venezuelanas volta ao centro da discussão geopolítica.

Os números do setor petrolífero ajudam a compreender essa centralidade. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), a Venezuela detinha, em 2021, a maior reserva provada de petróleo do planeta, com 303,8 bilhões de barris. O levantamento do IBP posiciona o país muito à frente de outras grandes potências energéticas e reforça sua relevância estratégica no mercado global.

De acordo com o ranking elaborado a partir de dados internacionais compilados pelo IBP, a Venezuela responde por cerca de 18% das reservas mundiais conhecidas, estimadas em aproximadamente 1,7 trilhão de barris. Na sequência aparecem países como Arábia Saudita, Canadá, Irã e Iraque. Os Estados Unidos, apesar de sua posição dominante no cenário geopolítico e militar, figuram apenas na 9ª colocação do ranking, com reservas significativamente inferiores às venezuelanas.



A discrepância entre o peso militar dos Estados Unidos e sua posição no ranking de reservas reforça as críticas de que o discurso de segurança serve como pretexto para ações com forte conteúdo estratégico e econômico. Historicamente, intervenções externas lideradas por Washington ocorreram em países detentores de grandes volumes de recursos naturais, especialmente petróleo, elemento central para a economia global.

No caso venezuelano, a liderança absoluta no ranking mundial confere ao país um papel decisivo não apenas na América do Sul, mas também na disputa internacional por energia. O controle ou a influência sobre essas reservas tem impacto direto sobre preços, cadeias de abastecimento e o equilíbrio geopolítico em escala planetária.

Além das implicações econômicas, a agressão militar levanta alertas sobre a estabilidade regional e o respeito às normas do direito internacional. Ao concentrar a maior reserva de petróleo do mundo e, ao mesmo tempo, tornar-se alvo de uma ofensiva estrangeira, a Venezuela passa a simbolizar, de forma explícita, o conflito entre soberania nacional e interesses estratégicos das grandes potências.