Na publicação, Lemos inicia a reflexão questionando o público sobre os impactos da polarização política nas relações pessoais e afetivas. “Você já brigou com alguém por causa de política? Já perdeu uma amizade, se afastou de alguém ou disse coisas que hoje não diria? Eu já”, escreveu o ex-deputado, admitindo ter participado ativamente daquela dinâmica durante seu mandato no Congresso Nacional.
Ao detalhar os bastidores de sua mudança ideológica e de postura, Julian Lemos explicou que o desconforto interno surgiu quando percebeu a transformação do ambiente político e dos ideais que defendia. “Houve um tempo em que eu também estava mergulhado nessa lógica. Eu era deputado federal, tinha mandato, espaço, voz. Mas, por dentro, comecei a me sentir um peixe fora d’água”, relatou.
O candidato apontou o acirramento da agressividade e a intolerância como fatores determinantes para o seu desligamento do grupo bolsonarista. “Aquilo que eu acreditava ser uma ideia começou, aos meus olhos, a se transformar em outra coisa. O debate deu lugar à agressividade. A diferença virou motivo para hostilidade. E chegou um momento em que permanecer ali significaria deixar de ser quem eu era”, afirmou.
A transição, definida por ele como uma “travessia”, exigiu o enfrentamento de custos políticos e pessoais, mas garantiu, em sua avaliação, a recuperação da autonomia de pensamento e o respeito à pluralidade. “Mudar não foi confortável. Teve preço. Mas foi também quando senti novamente o gosto da liberdade. A liberdade de pensar sem pedir licença. De reconhecer meus próprios erros. De respeitar quem pensa diferente. De defender quem tantas vezes foi colocado à margem. De estar ao lado de pessoas de todos os credos, de todas as origens e de todas as formas de pensar e existir”, destacou.
Ao final do texto, Julian Lemos oficializou sua posição no cenário político atual, alinhando-se à candidatura do presidente Lula e à defesa das instituições democráticas. O ex-deputado enfatizou que a mudança de posicionamento não representa um apagamento de sua história, mas um processo de aprendizado e amadurecimento político.
“Hoje, caminho ao lado da democracia e do presidente Lula. Não porque apaguei o meu passado, mas porque aprendi com ele. Eu não tenho vergonha de ter mudado. Vergonha seria perceber que estava no caminho errado e continuar nele apenas por orgulho. A travessia não apagou quem eu fui. Ela revealed quem eu escolhi ser”, concluiu o parlamentar.